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Meta inicia corte global de 8.000 vagas em ofensiva por “eficiência em IA”

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Meta inicia corte global de 8.000 vagas em ofensiva por “eficiência em IA”

Matéria original retirada de: InfoMoney

A Meta está avisando milhares de funcionários de que eles serão demitidos, como parte de uma reestruturação já anunciada para cortar custos enquanto a companhia acelera os investimentos em inteligência artificial.

A empresa começou a notificar colaboradores ao redor do mundo na manhã desta quarta-feira (20), começando pela Ásia, onde os funcionários receberam o comunicado às 4h, no horário de Singapura. Nos Estados Unidos, os empregados também devem ser informados ao longo da manhã, segundo um memorando interno.

Na Irlanda, a Meta cortou cerca de 350 vagas, o equivalente a algo próximo de um quinto da força de trabalho local, de acordo com uma pessoa a par do assunto que pediu para não ser identificada porque as informações são privadas. Um porta-voz da companhia não comentou cortes específicos, mas disse que os funcionários afetados e o governo irlandês já foram oficialmente comunicados.

Os empregados estão sendo orientados a trabalhar de casa enquanto a empresa elimina cerca de 8.000 postos de trabalho no mundo. Esta nova rodada de demissões deve atingir principalmente as equipes de engenharia e de produto, e novos cortes ainda podem ocorrer ao longo do ano, segundo pessoas familiarizadas com os planos da empresa.

“Empresas automatizadoras como a Meta correm o risco de deixar de ser empregadoras desejadas, à medida que fica claro que vão tirar o humano da equação sempre que surgir oportunidade”, diz Jan-Emmanuel De Neve, professor de economia e ciências comportamentais da Universidade de Oxford. “Isso até pode gerar economia de custos no curto prazo, mas ameaça o potencial de crescimento de longo prazo ao prejudicar o bem-estar e o engajamento dos funcionários.”

Na segunda-feira (18), a Meta informou aos funcionários que cerca de 7.000 pessoas também foram remanejadas para times recém-criados focados em iniciativas de IA, incluindo desenvolvimento de produtos e “agentes” de inteligência artificial. A companhia, que se comprometeu a gastar bem mais de US$ 100 bilhões em capex de IA neste ano, tinha pouco menos de 80.000 empregados no fim de março, antes dos remanejamentos e das demissões.

“Chegamos a um ponto em que muitas áreas já conseguem operar com uma estrutura mais horizontal, com times menores, em pods/coortes, que se movem mais rápido e com maior senso de dono”, escreveu Janelle Gale, chefe de Recursos Humanos da Meta, em um comunicado interno obtido pela Bloomberg News. “Acreditamos que isso vai nos tornar mais produtivos e tornar o trabalho mais recompensador.”

O presidente-executivo Mark Zuckerberg transformou a IA na prioridade número um da empresa, direcionando recursos para não ficar atrás de rivais como o Google, da Alphabet, e a OpenAI. Isso vem mudando o tamanho e o perfil da força de trabalho da Meta — e também o jeito de trabalhar. A companhia passou por várias ondas de demissões nos últimos anos, à medida que Zuckerberg pressiona por mais eficiência. Ele incentiva engenheiros a usar agentes de IA para ajudar em tarefas de programação e outras atividades, apresentou planos para rastrear o uso dos dispositivos dos funcionários para aprimorar a tecnologia e chegou a escrever código para um assistente com IA capaz de assumir parte de suas tarefas de CEO, como coletar feedback interno.

As mudanças deixaram muitos funcionários da Meta frustrados e apreensivos. Mais de mil deles assinaram uma petição endereçada a Zuckerberg e a outros executivos, pedindo que a empresa não colete dados de seus dispositivos — em nível tão detalhado quanto registrar teclas digitadas, movimentos do mouse e conteúdo de tela — para treinar sistemas de IA. Outros foram às redes sociais para relatar como o risco constante de demissão tem afetado o trabalho e o moral das equipes.

O ritmo agressivo de gastos da Meta com IA também levanta dúvidas entre investidores, que temem que esse investimento não traga retorno suficiente. Embora a companhia apresente as demissões como uma forma de “compensar” parte do custo dos grandes projetos de IA, analistas da Evercore estimam que os cortes devem gerar algo perto de US$ 3 bilhões em economia.

É pouco diante do volume de investimentos em capital projetado pela Meta para este ano, que pode chegar a US$ 145 bilhões, além de outras centenas de bilhões de dólares que a empresa prevê gastar em infraestrutura de IA até o fim da década.

© 2026 Bloomberg L.P.

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